Tempo da Quaresma: como viver a riqueza desse tempo…

As Normas Universais para o Ano Litúrgico dizem o seguinte no seu nº 27: “O Tempo da Quaresma destina-se a preparar a celebração da Páscoa: a liturgia quaresmal prepara para a celebração do mistério pascal tanto os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação cristã, como os fiéis, por meio da recordação do Baptismo e das práticas da penitência”.

Tempo de preparação para a Páscoa;
Tempo que prepara os catecúmenos, aqueles que desejam ser cristãos, para o Baptismo, Crisma e Eucaristia;
Tempo em que os que já são cristãos/baptizados, através das práticas penitenciais, procuram fazer uma revisão de vida.

Tudo isto porque a Páscoa se aproxima e ela é o centro de toda a vida cristã.

Origens da Quaresma
Nos primeiros tempos da Igreja só havia um jejum de dois/três dias, que terminava com a celebração da Vigília Pascal.
No final do séc. III, princípio do IV, chega-nos o testemunho de Eusébio, bispo de Cesareia (Palestina), dizendo que no Egipto se observava um período de preparação da Páscoa que envolvia quarenta dias. Este costume estaria relacionado com a vida dos eremitas que, em grande número, habitavam no deserto.
No ano 334, Santo Atanásio, bispo de Alexandria, na sua sexta Carta Pascal, refere-se a este costume e relaciona a Quaresma com a Páscoa. Fala da primeira como um tempo de purificação, instrução e jejum. Tudo indica que a Quaresma fosse vista como uma imitação do jejum de Cristo no deserto, descrito pelos evangelhos (Mt 4, 1-2; Mc 1, 12-13; Lc 4, 1-2).

Práticas da Quaresma

    • Penitência
      Pela penitência se manifesta a nossa união ao mistério da Cruz do Senhor. Ela pode-se viver em todos os tempos do ano, mas especialmente na Quaresma e à sexta-feira, porque nela especialmente recordamos a morte do Senhor.
    • Jejum
      O jejum é uma privação de alimentos ou bebidas que é feita com um sentido de penitência. Só existem dois dias no Ano Litúrgico declarados como dias de jejum: a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa. O primeiro, como início da Quaresma; o segundo, faz parte do jejum pascal, uma vez que a Sexta-feira Santa é parte do Tríduo Pascal, dos três dias em que se comemora a Paixão e Ressurreição do Senhor.
      Na norma do jejum incluem-se os cristãos entre os 18 e os 59 anos, salvaguardando-se aqueles que, por razões de saúde, não o possam fazer.
    • Abstinência
      A abstinência diz respeito a uma alimentação que seja simples e pobre, aconselhada aos cristãos a partir dos 14 anos. Devem evitar-se, portanto, alimentos e bebidas que manifestem dispendiosos, com luxo e requinte.
      Na tradição da Igreja a abstinência era feita não comendo carne em cada sexta-feira, especialmente na Quaresma. No nosso tempo ela pode ser feita de outras maneiras, ficando ao critério de cada cristão.
    • Outras práticas
      Outras formas de penitência podem ser a oração e a esmola.

      • No que respeita à oração inclui-se a leitura da Sagrada Escritura,
      • o exercício da Via-Sacra,
      • o Rosário da Virgem Maria,
      • as Laudes e as Vésperas (oração da manhã e da tarde),
      • a adoração do Santíssimo Sacramento
      • a celebração da Eucaristia.

A esmola consiste em partilhar bens materiais com as outras pessoas. A partilha para ter um sentido quaresmal deve ser uma verdadeira renúncia. Não é, portanto, dar daquilo que tenho a mais, que já não me serve para nada ou que já não quero.

Na esmola se inclui a renúncia quaresmal: é a guarda de pequenas quantias provenientes de renúncias de cada dia. No final da Quaresma, entrega-se essa soma para ajudar numa causa indicada pelo Sr. Bispo.

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

As Normas Universais para o Ano Litúrgico dizem o seguinte no seu nº 28 e 29:
O Tempo da Quaresma decorre desde a Quarta-Feira de Cinza até à Missa da Ceia do Senhor exclusiva
Na quarta-feira do início da Quaresma, que em toda a parte é dia de jejum, faz-se a imposição das cinzas.

Porquê esta prática da imposição das cinzas?
O Cerimonial dos Bispos, livro que dá as normas a observar quando o bispo preside à Liturgia da Igreja, no seu número 253, diz assim:
Por este sinal de penitência, que vem já da tradição bíblica e se tem mantido até aos nossos dias nos costumes da Igreja, é significada a condição do homem pecador, que confessando exteriormente a sua culpa diante do Senhor, exprime assim a sua vontade de conversão, confiando em que o Senhor seja benigno e compassivo para com ele, paciente e cheio de misericórdia. Por este mesmo sinal, inicia o caminho da conversão, cuja meta será atingida na celebração do sacramento da Penitência, nos dias anteriores à Páscoa.

Da Liturgia da Palavra deste dia destacamos algumas breves palavras da Sagrada Escritura. Apresentamos, também, a oração que acompanha a bênção das cinzas.

    • Convertei-vos a Mim de todo o coração. (Joel 2, 12)
    • Reconciliai-vos com Deus. Este é o tempo favorável. (2 Cor 5, 20; 6, 2)
    • Se hoje ouvirdes a voz do Senhor, não fecheis os vossos corações (Salmo 94, 8ab)
    • Deus de infinita bondade, que não desejais a morte do pecador mas a sua conversão, ouvi misericordiosamente as nossas súplicas e dignai-vos abençoar estas cinzas que vamos impor sobre as nossas cabeças, para que, reconhecendo que somos pó da terra e à terra havemos de voltar, alcancemos, pelo fervor da observância quaresmal, o perdão dos pecados e uma vida nova à imagem do vosso Filho ressuscitado, Nosso Senhor Jesus Cristo, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.
      Amen.

SDL

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