Mensagem de Natal de D. João Marcos Bispo de Beja

Celebremos o verdadeiro Natal!

A solenidade do Natal, queridos irmãos e filhos no Senhor, com toda a importância que lhe reconhecemos, não é a mais relevante do nosso calendário, mas tem sido a que maior ressonância alcançou, dentro e fora da Igreja. Isso deve-se ao encanto que nos vem de podermos contemplar, num recém-nascido, o cumprimento das promessas de Deus. Deus ama-nos. Ama-nos tanto que não ficou indiferente às nossas vidas, tantas vezes vazias ou cheias de problemas que, por nós próprios, não sabemos nem podemos resolver. Pela Encarnação e pelo Nascimento de Cristo, o Verbo de Deus, recebemos a garantia e a certeza de que, verdadeiramente, Deus está connosco!

Festejar o nascimento de Jesus não se resume para nós à lembrança agradecida do que se passou em Belém, há dois mil e tantos anos. Esse Menino cresceu, anunciou o Evangelho, foi morto na cruz. Fisicamente, já não está connosco, mas é muito verdadeira a resposta da assembleia celebrante: Ele está no meio de nós!

Mas que significa então esta festa? Porque celebramos o nascimento de Jesus e não o de tantas outras pessoas notáveis? É que a  morte não prendeu Jesus no passado. Ele ressuscitou, está vivo hoje, é nosso contemporâneo, e quer nascer espiritualmente no coração dos que n’Ele cremos para que, contemplando a Deus visível aos nossos olhos, sejamos arrebatados no amor do que é invisível! O cristianismo é a manifestação de Cristo ressuscitado e vivo hoje neste Seu Corpo, que é a Igreja.

Tantas vezes escutámos e repetimos já as mesmas palavras que o Anjo dirigiu à Virgem Maria: Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo. Vais ser mãe do Filho de Deus. Muito admirada com esta saudação, a Virgem Nossa Senhora respondeu com uma pergunta, com a mesma pergunta que cada um de nós faria ao receber uma tal saudação:

– Cristo vai nascer em mim? Como será isso?

– O Espírito Santo virá sobre ti e cobrir-te-á com a sua sombra!

Para que Cristo nasça em ti e na tua família, e na tua paróquia, não bastam todas as boas vontades. É obra do Espírito Santo! É necessário escutar o Evangelho e guardá-lo no coração, para que aprendas a fazer, dia após dia, a vontade de Deus, e assim Jesus possa nascer, crescer e trabalhar em ti, ou seja, realizar com as tuas mãos, as suas obras de amor a Deus e ao próximo. Sem isso, sem o Espírito Santo, a festa do Natal não tem verdade, fica vazia. Mas com o Espírito Santo a viver em ti, o mesmo Espírito que fecundou o seio de Maria Imaculada, também a tua vida, querido irmão, será habitada e dinamizada por Cristo, nosso Senhor. Para que tal possa  acontecer, aprende a responder com Maria:

– Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!

E, por obra do Espírito Santo, a Virgem concebeu o Menino Jesus. Nove meses depois deu-O à luz. Este é, queridos irmãos, o Natal verdadeiro. É este o miolo de todas as celebrações de Natal, desde as mais ricas às mais pobres, desde as mais autênticas e profundas até às mais superficiais. Festejar o Natal, as mais das vezes, é vivê-lo na esperança de que se realizará plenamente em nossas vidas.

Convido-vos, irmãos, no seguimento do Papa Francisco, a fazer o Presépio em vossas casas, e nas terras onde habitais. Vinde festejar o Natal, participando com as vossas famílias nas celebrações litúrgicas, e estando atentos e solícitos aos que sofrem, aos que estão sós. Animai-os a virem à Igreja, convidai-os para a vossa mesa, para a vossa família, e a festa do Natal e o Ano Novo terão para vós o sabor da caridade e da verdade.

Rezo por vós, para que as bênçãos abundantes de Cristo Nosso Senhor encham de paz e de alegria os vossos corações.

Rezai por mim, vosso pastor.

+ João Marcos, bispo de Beja

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