“Somos Igreja Celebrante” – Plano Pastoral ano 2020/2021

Programa Pastoral Diocesano

2020-2021

 

Uma vez que o programa do ano passado, devido à pandemia do Covid-19, ficou em grande parte por cumprir, vamos mantê-lo e adaptá-lo para este novo ano pastoral.

 

Somos Igreja Celebrante

 

1- Celebrar é próprio de quem, ao ver-se amado por Deus, deseja corresponder ao seu amor. E porque acredita na sua palavra, espera a realização das suas promessas. Quem se reconhece verdadeiramente amado pelo Senhor sai de si mesmo para O adorar, louvar e bendizer, e também para Lhe suplicar e agradecer. Celebrar é a primeira resposta dada ao Senhor, por quem n’Ele acredita.

Mas a celebração é muito mais do que isso: é o encontro com o Senhor que nos surpreende salvando-nos gratuitamente do mal e do pecado e enchendo-nos de bens, dando-Se a nós e convidando-nos, pelo Seu Espírito Santo, a viver a Sua mesma Vida! Celebrar é assim, entrar no deslumbramento desta relação com Deus para alimentarmos a nossa vida cristã, ou seja, a Vida Divina, exercitando e cultivando a fé, a esperança e a caridade.

Celebrando o amor do Senhor e cultivando com Ele um bom relacionamento, descobrimos que se harmonizam todos os outros nossos relacionamentos com o próximo e com a natureza. De facto, celebrar a Deus faz-nos sentir bem, situa-nos corretamente no mundo. Porque nos torna presentes as raízes do passado, celebrar ilumina e dá firmeza ao nosso hoje e alarga-o, abrindo-nos ao futuro. Faz-nos sair de nós mesmos, ajudando-nos a viver na esperança e na caridade. Na celebração, a manifestação do amor de Deus no passado, sobretudo na Morte e na Ressurreição do Seu Filho Jesus Cristo, torna-se memorial cuja força salvífica recebemos hoje, para podermos responder ao Senhor com as nossas obras, vivendo em função da Vida futura que Ele nos prometeu. Por isso, na celebração da Eucaristia, a assembleia aclama jubilosa: anunciamos Senhor a Vossa Morte, proclamamos a vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!

Caros irmãos e irmãs: se não cultivarmos a fé na qual fomos batizados, se a nossa vida não está dimensionada pela esperança e se não praticarmos a caridade, se não celebrarmos a Eucaristia e não respeitamos e guardamos o domingo, o dia do Senhor, como podemos considerar-nos cristãos?

 

2- A celebração cristã é sempre uma festa. Deus, a quem reconhecemos como nosso Criador, enviou ao mundo o Seu Filho para nos salvar do domínio do pecado e, concedendo-nos o seu Espírito Santo, nos fazer seus filhos adotivos. Assim Se revelou como sendo para nós um Pai muito querido, digníssimo de ser amado. E porque nos tornou participantes da Sua natureza em Jesus Cristo seu Filho, reconhecemos que todos somos irmãos, chamados a viver a sua mesma vida. Ele é um só Deus em Três Pessoas. Ele é comunhão, Ele é amor. N’Ele, todos nós somos chamados a ser santos, como membros da sua Igreja, quer dizer, a saborear a sua bondade e a amarmo-nos uns aos outros com o mesmo amor, com o mesmo espírito, com os mesmos sentimentos de Jesus.

Nos escritos do Novo Testamento encontramos o exemplo prático desta vida em comunhão, nas primeiras comunidades nascidas da pregação dos apóstolos. Vemos a sua vida de filhos de Deus sustentada por estes quatro pilares: eram assíduos aos ensinamentos dos apóstolos, participavam na fração do pão, cultivavam a comunhão fraterna, e eram assíduos às orações (Cf. At 2,42). Esses textos testemunham a grande importância que tinha para essas comunidades a participação na Fração do Pão, ou seja, na Eucaristia, e nas orações. Escutar, celebrar, ser comunidade, orar. Cada comunidade cristã via-se como Corpo de Cristo, como templo edificado por Cristo Sacerdote, templo no qual se cumpre o que antes estava prefigurado no Templo de Jerusalém.

 

3- A Constituição Sinodal da Diocese, no número 24, fala-nos da Igreja como Templo do Espírito Santo: Cada comunidade cristã é esse templo, é o lugar onde Deus se encontra com o homem e este com Deus e onde se recebe e se cultiva a reconciliação e a comunhão entre o Céu e a Terra. Por isso, a comunidade cristã aparece neste mundo como a forma primordial da beleza, pois nela resplandece a verdade da fé que professamos e a bondade das obras que praticamos, as mesmas obras de Cristo e do Pai.

 

4- Para que as nossas assembleias sejam de facto celebrantes, e não apenas assistentes, é necessário que cada batizado se reconheça participante da missão sacerdotal de Cristo. Nesse sentido, é preciso ajudar as pessoas a passarem de uma vivência meramente religiosa da fé cristã para uma vida centrada no Mistério Pascal do Senhor e na Liturgia da Igreja. A recuperação do Domingo como dia do Senhor e a purificação das festas religiosas, a implementação progressiva da Liturgia das Horas, e a cuidada celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos, ajudarão a comunidade cristã a viver consciente da sua identidade e da sua missão no meio do mundo (cf. Constituição Sinodal, nº 46).

 

5- Convido-vos, irmãos caríssimos, padres, leigos e comunidades religiosas, a cuidar da qualidade das nossas celebrações. É antes de mais para Deus que nós as realizamos, e não apenas para nós. Se são obra do Espírito Santo, nelas se deve manifestar aquela divina beleza na qual se realiza o encontro da verdade e da bondade. Para podermos celebrar a Eucaristia, precisamos de ser Igreja. Mas não esqueçamos que também a Eucaristia edifica a Igreja e que é celebrando-a, alimentando-nos dela, que crescemos como cristãos. Sem ela, nenhuma comunidade pode consolidar-se, florescer e frutificar (cf. Constituição Sinodal, nº 48-49).

 

6- Também este ano pastoral deve ser vivido em intensa oração de louvor e ação de graças, para darmos a Deus o que é de Deus. Para Lhe darmos espaço e tempo em nossas vidas, vamos continuar a fazer uma Iniciação à Oração em toda a diocese. De facto, há muitos cristãos que rezam pouco ou nada, porque nunca foram iniciados na oração cristã. Por isso, as catequeses para adultos serão, neste ano, as mesmas do ano passado, sobre a temática da Oração.

 

Objetivos gerais:

  1. Recuperar a celebração dominical como centro da nossa piedade e vida cristã.
  2. Celebrar, até à Solenidade de Cristo-Rei, os 250 anos da restauração da diocese.
  3. Promover a dimensão orante da vida cristã, individualmente e nas famílias.
  4. Preparar e celebrar os Sacramentos, sobretudo a Eucaristia, como assembleias celebrantes.
  5. Continuar a evangelizar os adultos praticantes.
  6. Implementar o Catecumenado Batismal em toda a Diocese.
  7. Cultivar o espírito missionário nas paróquias e nas famílias.
  8. Renovar as Pastorais Juvenil e Universitária, preparando as JMJ 2023.
  9. Fomentar a Pastoral Familiar Diocesana.

+ João Marcos, Bispo de Beja

 

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